Resenha: Antígona

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Hello, people!

As pessoas mais fascinantes que eu conheço leem, e leem muito. São aquelas que têm um bom papo, se enturmam em qualquer roda, conversam sobre tudo, têm conteúdo e sempre algo interessante a acrescentar. Então, garota, LEIA!

Essa resenha é bem diferente dos livros que eu costumo ler e indicar por aqui. Antígona é uma peça grega, do gênero tragédia, que foi escrita por Sófocles.  A temática abordada está ligada ao direito e à literatura e traz alguns temas como: a consciência individual, o poder do Estado, a obrigação ou não de aceitarmos todas as leis e a própria existência de uma Lei natural que transcende à dos homens. Eu amei! Espero que vocês gostem também!

Sinopse: Neste livro Antígona, uma das mais memoráveis personagens femininas já criadas, luta sozinha contra um tirano e seus exércitos, abalando todo um governo. Uma das sete peças sobreviventes do grego Sófocles, a tragédia Antígona tem seu lugar reservado entre os clássicos fundamentais da literatura.

A peça se inicia com uma conversa entre as irmãs Antígona e Ismênia. Antígona revela a Ismênia que Creonte (o atual rei de Tebas) decidiu sepultar somente um dos seus irmãos, o Etéocles. Polinice, o outro irmão, não será sepultado e ficará ao relento, “presa de aves carniceiras”. Diante dessa situação, Antígona questiona a irmã sobre tal atitude de Creonte e em meio a revolta na qual se encontra, diz que fará o sepultamento de seu irmão sozinha e com as próprias mãos. Desse ponto em diante, acompanhamos a trajetória de Antígona após seu ato de coragem e as consequências do mesmo.

É nesse contexto que muitos pontos importantes dessa obra podem ser observados. O primeiro deles diz respeito as características da virtude e do  tempo – o “tempo” aqui mencionado é o kairós.

Uma observação importante: na estrutura linguística, simbólica e temporal da civilização moderna, geralmente emprega-se uma só palavra para significar a noção de “tempo”. Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairós. Enquanto o primeiro refere-se ao tempo cronológico ou sequencial (o tempo que se mede, de natureza quantitativa), Kairós possui natureza qualitativa, o momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece: a experiência do momento oportuno.

Para Aristóteles, sem  a prudência não haverá  a virtude, pois sem ela não haverá a justiça e nem a temperança. Assim, a prudência é uma virtude ética.

Num segundo momento, o livro aborda o conceito de justiça que consistiria em dar a cada um o que é seu por direito. O justo é aquele que dá ao outro o que é seu por direito. E isso nos leva a pensar: é a justiça que determina o que é seu por direito? NÃO. O Direito é objeto da justiça, A prudência determina o direito, a jurisprudência, é a palavra utilizada pra dizer a virtude da prudência no direito.

Outro tema abordado é a coragem trazida como uma virtude moral importante. Para Aristóteles, é um justo meio entre dois extremos. Por falta, tem-se o vício da covardia e da temeridade, excesso em relação a coragem. Que virtude determina o justo meio da coragem? A prudência. A característica da prudência aparece em Antígona e Aristóteles recolhe dentro de sua ética.

A virtude da prudência é um saber conectado com a vida e tem que se ajustar com o tempo que é próprio da vida não o tempo abstrato que chamamos de chromos – aquele que dividimos em porções iguais e que não conseguimos individualizar -mas do tempo kairos, o tempo do momento oportuno, com qualidade, em que determinadas horas e momentos são bons para determinadas ações.

Como a virtude da prudência está conectada com a ação correta ela está conectada com a ação correta no momento correto. Isso pode ser percebido em Antígona, pois depois do discurso de Tyredes, Creonte se dá conta de que estava equivocado, mas ele percebeu isso tarde demais.

O arrependimento de Creonte chegou quando já era tarde. Portanto, é necessário ter muita cautela na hora de tomar decisões. E para finalizar, fiquei satisfeita com o desenvolvimento e o final: não achei o final completamente justo (por apego, talvez), mas a forma com que a peça termina é muito satisfatória.

Indico a leitura para todos aqueles que procuram algo diferente.

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