Tarde chuvosa de um domingo qualquer

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É tarde já, mas ainda não fui dormir. Estou sozinha no meu quarto ouvindo o barulho da chuva. Meus pensamentos não param, me sinto perdida, envolta num momento que não tem hora para acabar. Fecho os olhos. Tento esquecer tudo que me aborrece. Não obtenho resultados.

A chuva permanece leve, suave e constante. Essa situação começa a me irritar. Levanto, ascendo a luz pego um livro qualquer para ler. Meu Deus, como tudo isso pode acontecer? Onde eu estava que não vi as coisas tomarem esse rumo? Me culpo mais uma vez. Nada resolve, nada me tranquiliza.

Começo a revirar fotos antigas, mensagens trocadas, juras de amor, promessas quebradas, objetos empoeirados.. Lembro das implicâncias, das discussões, raiva momentânea e inúmeras reclamações.. Agora só me restam  lágrimas  por não saber como você está.

Se eu me concentrar bem, ainda escuto os sons das risadas naquela foto de turma, as vezes até sinto sua presença quando tenho seus parentes por perto. Mas é preciso prestar bastante atenção, ou a lembrança escapa pela porta e não volta mais. Aquele sorriso manso e tímido de meninão hiperativo.. o lado esquerdo do peito é ali que mora o play da memória, que me leva de volta a um tempo de problemas fáceis, risadas e brincadeiras de crianças. Dá para me transportar de novo pra lá se eu ficar assim, bem quietinha. Eu juro.

Tenho evitado nossos velhos amigos, não sei por que, mas não me sinto preparada para acreditar que a vida pode seguir sem você por aqui, sinto raiva por eles não terem feito nada. Sei que não posso resumir tudo que passei com eles apenas a ódio, mas preciso de tempo para me recuperar, Sinto ódio quando riem da situação. Vou ficar aqui quietinha, lembrando dos seus abraços, rezando para você voltar. Só desejo que isso passe logo!

É tarde chuvosa de um domingo qualquer. Tenho 22 anos. A vida mudou muitas vezes neste tempo todo. Mas, numa tarde, eu reviro as lembranças. Um dia, parece até mentira, mas a gente lembra só das coisas boas.

“O que vai ficar nas fotografias são os laços invisíveis que havia. As cores, figuras, motivos. O sol passando sobre os amigos. Histórias, bebidas, sorrisos. E afeto em frente ao mar”. Leo Jaime e Leoni